Bom, antes de tudo, eu sou o caipira escritor. Sou o escritor caipira, da roça, da lida, da mão calejada, um peão de mato, do R puxado.
Lá em 2020, em plena pandemia, no meio do potreiro, em cima de uma árvore, eu pensei uma coisa simples, sem saber o tamanho disso: vou voltar para casa e começar a escrever. Mas não eram palavras soltas, era o começo do primeiro livro.
Eu não sabia que seriam cem. Na verdade, eu nem sabia o que isso ia virar. Mas eu sabia que precisava começar. E ali nasceu o primeiro livro e, sem eu perceber, nasceu também o caipira escritor.
Eu encontrei na escrita não um hobby. Eu encontrei um lugar para me desabafar com sinceridade, sem medo de julgamento. Porque, no fundo, eu só precisava colocar para fora o que eu pensava. E o caipira escritor nada mais faz do que isso: compartilhar pensamentos.
No fundo, eu não sou nada além de um instrumento da minha própria mente. Escrever para mim não é só terapêutico. Escrever é libertador, é libertar a dor. E talvez isso seja o mais próximo de uma cura que eu já encontrei. Porque nem toda terapia consegue fazer isso do mesmo jeito.
Eu não sou personagem, não sou cópia, sou o que vivi. E é isso que eu coloco em cada livro que escrevo.